Tecnologia 3G
 
 
 
 

Nextel busca seu futuro na 3G

8/2/2010 | Redação O Estado de São Paulo
 

Empresa depende de sucesso em leilão para oferecer banda larga

Um dos objetivos para este ano de Sérgio Chaia, presidente da Nextel Brasil, é melhorar seu futebol. O mineiro de 44 anos está treinando corrida e fazendo musculação para aperfeiçoar o preparo físico. "Eu já fui muito bom", afirma o executivo, que torce para o Palmeiras. "Joguei no Guarani quando tinha 13 anos." Ele acabou sendo convencido pelo pai que era melhor estudar e deixar de lado os sonhos de se tornar jogador profissional. Atualmente, costuma dedicar as noites de terçafeira a partidas com funcionários da Nextel. Na última sexta, planejava participar de um jogo durante a convenção de vendas em Angra dos Reis (RJ).

Ao mesmo tempo em que trabalha seu futebol, Chaia prepara os músculos da Nextel para uma disputa muito mais ambiciosa. Ele quer ser o vencedor em um leilão de licenças de terceira geração (3G) da telefonia celular em abril, tornando-se o quinto operador com presença nacional e competindo em pé de igualdade com a Vivo, Claro, TIM e Oi, Abriga não será fácil.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocou um texto em consulta pública em que impede as operadoras que estão no mercado de participar do leilão.

Mesmo sem elas, o leilão da chamada banda H promete ser disputado. A expectativa do mercado é que a GVT, recentemente comprada pela francesa Vivendi, apresente propostas

pelas licenças. A GVT opera telefonia fixa e banda larga, e não está no mercado celular. Também falam de interesse das japonesas NTT DoCoMo e KDDI. Em 2007, a Nextel foi a surpresa do leilão de 3G. Não levou nenhuma licença, mas elevou os ágios para todo mundo.

Chaia não chega a colocar a situação nesses termos, mas o futuro da Nextel Brasil depende em grande parte do sucesso no leilão. Hoje, com seu sistema de rádio, a empresa não consegue oferecer banda larga móvel, o que pode prejudicá-la na competição pelo mercado. Com a tecnologia iDEN, usada pela operadora, é possível consultar e-mails no BlackBerry ou criar sistemas de automação de força de vendas. Mas a velocidade não é suficiente para garantir uma boa navegação na rede.

O executivo não revela quanto tem no bolso para investir, mas dá uma pista: "Vamos investir mais do que os R$ 5,3 bilhões que já investimos no Brasil até agora." Hoje, o serviço da Nextel se confunde com o celular, mas a sua licença é de rádio. Uma das regras é que o serviço pode ser oferecido somente para empresas e profissionais liberais. Por um lado, isso limitou o crescimento da operadora. A Nextel tem apenas 2,3 milhões de clientes. A Vivo, por exemplo, tem 51,7 milhões, 22 vezes mais. Por outro lado, seus números são invejáveis. A Nextel tem uma receita média por usuário de R$ 58. As concorrentes têm uma receita média próxima de R$ 10.

Se conseguir vencer o leilão, a Nextel tem o desafio de replicar no mercado celular o sucesso que teve até agora nas comunicações móveis empresariais, enfrentando um jogo mais difícil, onde as regras são outras. 

 
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